
A Gol anunciou a suspensão do pagamento de dividendos trimestrais aos seus acionistas para o resto deste ano, conforme decisão tomada pelo Conselho de Administração da empresa, em reunião, que também comunicou a revisão de seu plano de aumento de frota, com o corte de 12 aviões.
A agência de classificação de risco Moodys rebaixou a nota da companhia. Com essas notícias, as ações da Gol despencaram 13,11%, maior queda registrada em um dia desde que a empresa abriu capital.
Especialistas do setor aéreo consideram que as medidas anunciadas pela Gol foram influenciadas, em grande parte, pela compra da Varig, em março do ano passado, por US$ 320 milhões.
O presidente da companhia, Constantino de Oliveira Junior, estaria sendo cobrado pelos acionistas a apresentar melhores resultados e estaria até sendo pressionado para deixar o cargo, segundo fontes ligadas à empresa. A Gol negou que Junior vá deixar o cargo.
"As medidas adotadas são necessárias para que a companhia se prepare para a próxima fase de seu crescimento e estão alinhadas com a nossa estratégia de expansão rentável baseada na estrutura de baixo custo", declarou Junior, por meio de um comunicado ao mercado.
O especialista em aviação da consultoria Bain & Company, André Castellini, acredita que o erro de estratégia da Gol começou na compra da Varig. "A aquisição da Varig refletiu nos resultados financeiros da companhia e motivou o corte dos dividendos. Já a revisão do planejamento de frota e da oferta, medidas que já eram esperadas, foram motivadas pela alta do petróleo", disse Castellini.
O ex-diretor-geral do Departamento de Aviação Civil, que antecedeu a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), brigadeiro Mauro Gandra, concorda que a compra da Varig teve um peso excessivo nos resultados da Gol. "Não tenho a menor dúvida que a Varig motivou essa situação da Gol, que está fazendo o que todas as companhias estão fazendo", afirmou Gandra, referindo-se à redução de custos do setor, para evitar uma nova crise financeira.
O comunicado da Gol informa que a companhia, apesar de suspender os dividendos trimestrais, vai efetuar o pagamento mínimo de 25% do seu lucro aos acionistas. A empresa destaca que desde 2004 já distribuiu R$ 664,7 milhões em dividendos.
A Gol também comunicou que vai reduzir seu plano de ampliação de frota em sete aviões. Desse total, serão dois modelos 737-800, da Boeing, que seriam arrendados ainda este ano. Para 2009, a companhia reduziu em cinco 737-800. A empresa também informa que todos os 737-300 e 767-300 serão substituídos por 737-700 e 737-800.
Ainda de acordo com o comunicado, a oferta de assentos da Gol para todo o ano de 2008 está projetada em 41 bilhões de assentos por quilômetro, sendo 32,5 bilhões para o mercado doméstico e 8,5 bilhões para os vôos ao exterior. Isso representa uma redução de 5% em relação às previsões feitas anteriormente pela companhia.
A Gol informa que a renovação da frota faz parte da estratégia da empresa de reduzir seus custos operacionais com a utilização de aviões mais modernos e com melhor eficiência no gasto de combustível. O querosene de aviação, que já subiu 36,38% desde o início do ano e responde, em média, por pelo menos 35% dos custos de uma empresa aérea.
Fonte: O Estado de São Paulo
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