segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Aéreas fazem um esforço extra para evitar perda de bagagens


No primeiro ano de Andrew Price no emprego, as companhias aéreas perderam sua bagagem sete vezes. Isso já seria ruim o bastante se Price fosse o típico executivo que gasta muito tempo voando pelos continentes. Mas Price é, justamente, o homem responsável por ajudar as aéreas a não perder tantas malas.

No ano passado, em uma viagem de três dias da Suíça ao Canadá, suas malas só chegaram no último dia, quando ele já estava no aeroporto. Price as despachou direto para casa. Elas chegaram uma semana depois dele.

"Os passageiros podem correr para pegar um avião, mas as malas não", diz Price, de 40 anos, que dirige o Programa de Melhoria do Manuseio de Bagagens, uma campanha mundial de cinco anos lançada pela Associação Internacional de Transportes Aéreos, a entidade que representa as companhias aéreas e tem sede em Genebra, para tentar ajudar as empresas a melhorar seu desempenho no manuseio de bagagens.

A perda de bagagem é um dos grandes problemas não resolvidos do setor de aviação. Os engenheiros já construíram jatos capazes de voar ao dobro da velocidade do som, transportar quase 900 pessoas e permanecer no ar por quase 24 horas. Mas a indústria ainda não consegue garantir que uma mala chegue ao seu destino juntamente com o passageiro.

No ano passado, mais de 31 milhões de malas - o que dá em torno de 1,4% de todas as bagagens despachadas - chegaram atrasadas, segundo autoridades do setor. Cerca de 1,8 milhão de malas nunca chegaram ao seu destino. Algumas entram por desvios inexplicáveis.


Quando Chloe Good iniciou uma viagem de volta ao mundo, em outubro passado, sua mochila não fez sequer a primeira etapa, o curto trajeto de Nova York a Chicago pela United Airlines.

Substituir a mochila, todas as roupas e os comprimidos para malária quando chegou a Paris lhe custou muito mais do que o reembolso de US$ 1.491,14 que recebeu da United, diz. Good, de 25 anos, natural de Miami, diz que trocou tantos telefonemas e emails com o encarregado das bagagens da United na Índia que ele acabou lhe contando sobre sua vida amorosa e a convidando a visitá-lo em Nova Déli.


"Eu ria para não chorar", lembra-se ela. Quatro meses depois, quando estava no interior do Marrocos, ela recebeu um email da United dizendo que tinham encontrado sua mochila e queriam enviá-la. Como ela não poderia viajar com duas mochilas, pediu que fosse mandada direto para sua casa. Um porta-voz do United disse que a situação foi "excepcional".

Price encontrou muitas situações excepcionais quando planejava sistemas de manuseio de bagagem na British Airways, no início desta década.

A experiência o ajudou a conseguir emprego na Iata em 2005. Ali ele lançou a campanha de melhorias dois anos depois. As aéreas logo aderiram ao programa, pois gastam cerca de US$ 3 bilhões por ano indenizando passageiros e enviando bagagens atrasadas.

Para se inteirar dos problemas, no fim do ano passado a equipe de Price realizou auditorias de uma semana em nove grandes aeroportos, entre eles os de Dubai, Lisboa e Dallas-Fort Worth. O resultado é uma "caixa de ferramentas" para as empresas aéreas e os aeroportos, que inclui conselhos dos atendentes do balcão e análises informatizadas dos indicadores do setor, tais como número de malas perdidas por 1.000 passageiros.

A equipe de Price concluiu que os problemas começam no check-in. Quando os aviões estão mais cheios, como nos feriados, as aéreas contratam agentes temporários que bagunçam os códigos dos aeroportos e acabam mandando malas para lugares errados.

Nos Estados Unidos, os carregadores que escrevem suas iniciais nas etiquetas com marcador negro, para que o passageiro saiba a quem dar gorjeta, acabam tapando os códigos de barras. A equipe de Price adotou uma solução simples, usada na American Airlines: dar a eles canetas vermelhas. Muitos agentes também aceitam bagagens bem maiores do que o permitido.


Quando uma mala sai de vista, segue um trajeto por longas correias, a 2,10 metros por segundo, enquanto aparelhos de raio laser tentam ler seu destino, marcado em códigos de barra do tamanho de uma caixa de fósforos, colocados nas etiquetas no check-in.

Muitos viajantes conservam velhas etiquetas como lembranças de viagens anteriores. Esse hobby, que antigamente dava status aos baús levados nos navios a vapor, hoje confunde os scanners, diz Price. Os computadores rejeitam essas etiquetas e enviam a mala para o manuseio manual, aumentando o risco de erros.


Em seguida, uma máquina com pás automáticas vai fazendo a triagem e encaminhando as malas segundo o voo. "É como se fosse uma máquina de fliperama", diz Price. Basta uma alça de mochila se prender e já pode obstruir o mecanismo.

Em um aeroporto da América do Sul onde as bagagens se acumulavam nas correias e bloqueavam o mecanismo de triagem, a equipe de Price propôs pintar tiras de cores brilhantes a cada metro para sugerir um bom espaçamento. Com isso o fluxo das malas melhorou.


Se as correias param em um aeroporto movimentado, montanhas de malas se empilham e podem preencher rapidamente todo o espaço disponível para armazenamento. Price viu isso acontecer repetidas vezes na BA, que em 2007 teve que lidar com cerca de 1 milhão de bagagens atrasadas, segundo executivos da empresa.

A BA inaugurou em 2008 um novo sistema de manuseio de bagagens no aeroporto de Heathrow. De início, os problemas continuaram, mas hoje o diretor-presidente da companhia, Willie Walsh, diz que o sistema bate recordes de velocidade e exatidão. Ele usa um sistema produzido pela holandesa Van Der Lande Industries, que está também expandindo a automação do aeroporto Schiphol, de Amsterdã.

Executivos da Iata dizem que seu programa de melhoria está começando a gerar ótimos resultados; mas Price adverte que sempre haverá extravio de algumas bagagens. É por isso que ele aconselha os passageiros a comprar um generoso seguro de viagem, que pode até fazer com que um problema com bagagem se torne financeiramente compensador. Ele próprio tem um seguro desse tipo.

"Devo ser uma das poucas pessoas no mundo que têm prazer em perder malas", diz Price.

Fonte: Webtranspo.

Um comentário:

marcia Branco disse...

fui vítima da tacv uma mala de 8 a 9 quilos e nenhuma satisfação me foi dada, dvds isntitucionais,figurino preparado para gravação de programa na tv, material de trabalho da organização humanitéria com a qual trabalho...perdas irreparáveis, alguém já conseguiu recuperar mala perdida com a tacv? e quando nã se consegue o que fazer?

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