A intolerância de alguns passageiros em relação ao ar condicionado de bordo é até desculpável, principalmente na classe econômica. No entanto, segundo os fabricantes de jatos comerciais, ele é tão ou mais puro que aquele que respiramos em terra. Passa por equipamentos de filtragem de alta eficiência para a separação de partículas do ar, filtros chamados de High Efficiency Particulate Air (HEPA), utilizados em salas de cirurgia. O volume total do ar na cabine de passageiros é renovado a cada três minutos. Nos jatos comerciais, a altitude da cabine é mantida em 2,4 mil metros quando o nível de cruzeiro da aeronave é em torno dos 11 mil metros. Esse ar de montanha é assimilável pela quase totalidade dos passageiros, embora represente uma redução em cerca de 25% de oxigênio. O maior incômodo no ar condicionado de bordo é seu baixo teor de umidade, desconfortável para as mucosas e insuficiente para aqueles cuja respiração em terra firme já deixa a desejar. Desde o advento da climatização de bordo, nos anos 40, as deficiências em oxigênio e esse baixo teor desafiam os maiores talentos da engenharia aeronáutica. Por um motivo simples: o ar, mais denso, exigiria uma pressão interna mais elevada que a atual dentro da cabine (cerca de 1 tonelada por metro quadrado), o que aumentaria o peso da fuselagem. Com relação à umidade natural do ar que é sangrado do compressor de cada motor, trata-se de uma questão de física. Nas temperaturas sub zero a 11 mil metros de altitude, a umidade do ar é muito baixa. Seria até possível adicionar umidade ao ar insuflado na cabine, arcando com o ônus da corrosão causada pelos condensados, mais temida que o aumento de peso. A pouca umidade da cabine é provocada em parte pelo vapor d’água exalado pela respiração dos passageiros.
Os novos jatos, como o Boeing 787 Dreamliner e o Airbus A350XWB, oferecerão sistemas de pressurização/ar condicionado revolucionários em termos de altitude da cabine, que passará de 2,4 mil para 1,8 mil metros, e de grau de umidade, que oscilará entre 20% e 25%. Uma melhoria e tanto, graças aos novos materiais compostos (resinas reforçadas por fibras sintéticas, principalmente de carbono) que substituem o alumínio na fuselagem. Muito mais leves, resistentes e à prova de corrosão, após conquistar a preferência dos projetistas das aeronaves executivas de geração mais recente, eles deverão ocupar espaços cada vez maiores nas estruturas dos grandes jatos comerciais. Sua descoberta e aperfeiçoamento serão os responsáveis pelo primeiro grande salto na qualidade do ar condicionado em aeronaves desde seu advento nos equipamentos a pistão, há cerca de 60 anos.
Fonte: Revista Varig
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